A disponibilidade e independência energética são fatores considerados fundamentais no desenvolvimento económico de um País. Num mundo altamente competitivo e submetido à globalização dos mercados, a energia é uma variável importante e estratégica de desenvolvimento.

 

A nível mundial, o consumo de energia primária actual é já de cerca de 12 GTep/ano (Tep – Tonelada equivalente de petróleo) sendo que os combustíveis fósseis representam 70% deste total; o carvão e o petróleo representam 26% cada, o gás natural 18% e as fontes de energia não fósseis 30%, esta última percentagem divide-se quase em partes iguais entre as energias renováveis e a energia nuclear. Estima-se que estes valores possam aumentar para 22 GTep/ano em 2050, fruto de inúmeros fatores, entre os quais se encontra o aumento da população mundial [European Comission, 2007].

 

De facto, o aumento quase exponencial da população tem sido uma realidade no último milénio e atualmente, com base em estimativas razoáveis, prevê-se que a população mundial atinja um número próximo dos 10 biliões de habitantes em meados do século XXI. Atualmente, a população mundial ronda os 6 biliões. Este facto, associado com os crescentes níveis de conforto requeridos pela sociedade actual, conduz a um aumento significativo das necessidades energéticas atuais.

 

As maiores taxas de crescimento localizar-se-ão nos países em vias de desenvolvimento (onde as necessidades energéticas de base não se encontram hoje plenamente satisfeitas), devido a um maior crescimento demográfico e desenvolvimento económico, enquanto nos países industrializados, com grandes quantidades de consumo, se assiste a um início de uma gestão de eficiência e poupança energética relacionada com uma evolução técnica.

 

Estima-se mesmo que o consumo nestes países ultrapasse o dos países industrializados pouco depois de 2010 e virá a representar dois terços do consumo mundial em 2050. Face a este cenário, algumas reflexões têm de ser feitas, nomeadamente com base nos seguintes pressupostos e pontos-chave:

 

  1. A procura de energia no mundo continuará a crescer fruto do aumento da população e do poder de compra em países com economias emergentes;
  2. Até 2030, o consumo de energia a nível mundial vai sofrer um aumento “dramático” de 40%;
  3. O preço a pagar, garante a Agência Internacional de Energia [IEA, 2010] no “World Energy Outlook”, é que sem uma mudança nas atuais políticas energéticas, irá registar-se um aumento dramático na temperatura global do planeta;
  4. O relatório da agência sublinha que os dois maiores países emergentes, China e Índia, serão responsáveis por mais de metade do aumento do consumo energético no mundo, já que é impossível dissociar o crescimento económico de uma maior procura de energia;
  5. A combustão de energia fóssil continuará a dominar o mercado mundial de energia;
  6. As alterações climáticas põem em causa a viabilidade do “sistema terra” [IEA, 2010];
  7. Assiste-se a uma mudança gradual, consciente e consistente do modo de vida da população mundial com tomadas de decisão mundial pela qualidade de vida;
  8. A segurança de abastecimento de energia será uma preocupação crescente dos governos;
  9. A energia nuclear é uma opção em termos de produção de energia, mas o seu crescimento é politicamente difícil;
  10. A solução passa necessariamente por apostar nas energias renováveis que deverão registar um aumento de 22% até 2030.

 

Se por um lado é essencial mudar o padrão de consumo energético, também a mudança da matriz de consumo de energia primária está entre os maiores desafios que o mundo terá de enfrentar se quiser reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e colaboram para o aquecimento global e minimizar outros problemas resultantes da utilização dos combustíveis fosseis. A matriz energética actual difere muito de país para país (consoante o seu desenvolvimento económico e a disponibilidade de recursos energéticos).

 

O novo modelo energético

 

Em suma, fatores como a evolução do preço do petróleo, os problemas relacionados com a segurança do seu abastecimento, o aumento das necessidades energéticas e as exigências de redução/eliminação de emissões gasosas que contribuem para o efeito de estufa (como CO2), põem em causa as atuais plataformas energéticas e obrigam à procura de novas soluções de abastecimento de energia não dependentes de combustíveis fósseis. Para além disso, a necessidade da criação de um novo paradigma advém da interação entre vários fatores, entre os quais a alteração tecnológica emergente que pode oferecer fontes de geração distribuída, com benefícios não acessíveis às tradicionais e centralizadas fontes de energia, que são obviamente mais vulneráveis a acidentes e sabotagens, e o aparecimento inevitável de constrangimentos ambientais mais restritivos na produção de energia, já que esta representa uma parcela importante na poluição local e global.

 

Pretende-se que até 2020, 20% da energia consumida na Europa e E.U.A seja de origem em fontes renováveis, o que será conseguido através de:

  1. Busca intensiva pela produção de hidrocarbonetos sustentáveis a partir do “sol, terra e água”;
  2. Promoção da eficiência energética.

 

Energias Renováveis 

 

No que concerne à produção de energia elétrica, a percentagem produzida através de fontes de energia renováveis é de cerca de 18% (15% de eletricidade que é produzida através da conversão da energia hídrica, e 3% obtidos a partir de outras fontes de energia renovável) [REN21, 2008; REN21, 2010]. Num futuro próximo, o peso das renováveis na matriz energética mundial aumentará significativamente. Esta tendência é já observada quando se analisa o aumento da taxa de crescimento da capacidade instalada global, de tecnologias de fontes de energias renováveis, que atingiu valores entre 10 e 60% no período de 2004 a 2009. A título de exemplo refira-se o caso da energia eólica, cuja taxa de crescimento de capacidade instalada aumentou 32% num único ano (2009), atingindo a capacidade de 158 GW no final do referido ano [REN21, 2010].

 

As denominadas energias renováveis são obtidas através da conversão de energia de fontes primárias naturais tais como o sol, vento, chuva, marés e o calor geotérmico. Atualmente, tal como já foi referido, cerca de 13% da energia primária consumida provém já de fontes de energia renováveis, sendo que no que respeita à energia final, a percentagem das renováveis ascende a 20%, que representa dados mundiais de 2008 [REN21, 2010]. De notar que a energia final é a energia tal como ela é disponibilizada, nas suas várias formas (eletricidade, combustíveis, gás, etc.), às atividades económicas e às famílias, contrariamente à energia primária, que é a energia tal como entra no sistema energético.

 

Se forem consideradas todas as energias provenientes de fontes de energia renováveis, a capacidade global instalada em 2009 atingiu os 1,230 GW em 2009 (cerca de um quarto da capacidade mundial da produção de energia – 4,800 GW), representando 18% da produção mundial de eletricidade.

 

O recurso às energias renováveis é um meio privilegiado fundamental para apoiar a resolução de problemas relacionados com o uso intensivo dos combustíveis fósseis e todos os problemas a eles associados, tais como preço, segurança do abastecimento, emissão de gases com efeito de estufa proveniente do seu uso, poluição e alterações climáticas.

 

Dado este panorama, muitos países fixaram metas muito ambiciosas para o período 2010-2030, implementando politicas que favoreçam a produção de energias com base em fontes renováveis. Concretamente e no caso dos países da União Europeia, foram traçados objetivos, por parte dos 27 países membros, que visam atingir uma percentagem de 20% de utilização de fontes de energia renováveis no total de energia final utilizada em 2020 . Para que se consiga atingir estas metas, é absolutamente estratégico e fundamental explorar os recursos energéticos existentes nos oceanos (Energia Renovável “OffShore”).

 

A DECKSPOT tem alinhado a sua estratégia nesta visão, desenvolvendo vários projetos de conversão de Energia Oceânica.

 

 

 

“TRIPOWER” e “SPIDER POWER”, Conversores de Energia Oceânica Patenteados